COOCACER: A SINGULARIDADE DE UMA HISTÓRIA CONSTRUÍDA POR MUITAS MÃOS
Por Simão Pedro de Lima
A Noite da Singularidade, promovida pela Coocacer, em Araguari, tem um significado que ultrapassa a premiação dos melhores cafés de seus cooperados. É um momento de celebração de toda uma safra, mas também de reconhecimento de uma trajetória coletiva que ajudou a transformar a cafeicultura do Cerrado Mineiro em uma referência de qualidade, empreendedorismo e sustentabilidade.
A colheita representa o resultado quantitativo de um ano de trabalho. O pós-colheita, os cuidados no preparo dos lotes e a atenção aos detalhes revelam sua dimensão qualitativa. Quando esses resultados são apresentados em um concurso de qualidade, o que se celebra não é apenas a excelência de determinados cafés, mas o esforço daqueles que enfrentaram as dificuldades do ciclo produtivo e chegaram ao final de mais uma safra.
Por isso, vejo a Noite da Singularidade como algo maior que uma competição. Naturalmente, haverá cafés premiados e produtores reconhecidos por resultados excepcionais, mas o verdadeiro significado da celebração está em compreender que todos os participantes contribuíram para uma conquista que pertence à cafeicultura regional.
E, quando falamos da Coocacer, temos razões adicionais para celebrar. Fundada em dezembro de 1993, a cooperativa construiu, ao longo de mais de três décadas, uma história marcada pelo empreendedorismo, pela capacidade de inovação e, sobretudo, pelo protagonismo de cooperados que nunca se acomodaram diante dos desafios da atividade.
A cafeicultura de Araguari e de sua região tem características que ajudam a explicar essa trajetória. O investimento em tecnologia, a evolução dos sistemas de produção, a atenção à qualidade e a disposição para experimentar novos caminhos revelam uma cultura empreendedora que encontrou no cooperativismo um instrumento de fortalecimento coletivo.
Mas uma cooperativa não se torna relevante apenas pelo crescimento de suas operações. Sua verdadeira dimensão está na capacidade de acompanhar a evolução dos cooperados, oferecer oportunidades, agregar valor à produção e construir condições para que suas atividades permaneçam competitivas ao longo do tempo.
Nesse aspecto, os números recentes da Coocacer merecem destaque. Depois de encerrar 2025 com receita global próxima de R$ 600 milhões, a cooperativa trabalha com a expectativa de aproximar-se de R$ 1 bilhão em 2026. Mais de 600 mil sacas da safra atual já haviam sido recebidas, evidenciando a dimensão de suas operações e a confiança dos produtores.
São resultados importantes, mas que não devem ser interpretados isoladamente. Por trás deles existem investimentos, decisões empresariais, capacidade de organização e, principalmente, produtores que continuam acreditando na cafeicultura e investindo em suas propriedades.
Outro aspecto que merece reconhecimento é a maneira como a Coocacer incorporou a sustentabilidade à sua estratégia de desenvolvimento. Em uma época na qual as exigências ambientais, sociais e de governança passaram a influenciar o acesso aos mercados, a cooperativa compreendeu que produzir bem já não significa apenas alcançar produtividade e qualidade.
O Programa Café Sustentável, estruturado em cinco eixos — educacional, ambiental, social, econômico e governança —, expressa essa visão mais ampla. A iniciativa, associada ao trabalho do Instituto Mineiro do Agronegócio Sustentável (IMAS), demonstra uma preocupação que alcança não apenas o produto, mas também as pessoas, as propriedades, o território e as futuras gerações.
A conquista do selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol também merece destaque. O reconhecimento atesta a qualidade e a verificação independente do inventário de emissões de gases de efeito estufa da cooperativa, representando um avanço importante na transparência e na gestão ambiental. Não significa, por si só, ausência de emissões, mas evidencia a seriedade de quem se dispõe a medir, prestar contas e buscar melhorias.
Esse compromisso se manifesta ainda em investimentos em energia solar, recuperação ambiental, proteção dos recursos naturais e iniciativas voltadas à sucessão familiar. São ações que indicam uma compreensão importante: a sustentabilidade da cafeicultura depende tanto da preservação das condições de produção quanto da existência de novas gerações dispostas a continuar produzindo.
Há, portanto, um mérito que deve ser reconhecido na trajetória da Coocacer. Seu crescimento não se limita ao aumento de volumes ou de receitas, mas se manifesta também na capacidade de estimular uma cultura de inovação, responsabilidade e permanente aperfeiçoamento.
Essa construção tem reflexos que ultrapassam Araguari. A Coocacer e seus cooperados ocupam lugar de destaque na cafeicultura brasileira, participando da consolidação da Região do Cerrado Mineiro como uma origem reconhecida por sua identidade, qualidade e capacidade de organização.
Ao longo da minha trajetória no cooperativismo, aprendi que nenhuma instituição constrói uma história relevante sozinha. São as pessoas que lhe dão sentido, e são os cooperados, com seu trabalho, sua confiança e seu espírito empreendedor, que justificam a existência e a permanência de uma cooperativa.
Por isso, ao cumprimentar a Coocacer por mais uma Noite da Singularidade, estendo meu reconhecimento ao seu Conselho de Administração, à Diretoria Executiva, aos colaboradores e a todos que contribuíram para essa caminhada. Mas faço uma saudação especialmente carinhosa aos cooperados e suas famílias, que transformam trabalho, conhecimento e esperança em resultados concretos.
Aos que receberão os troféus, meus parabéns pela excelência alcançada. Aos demais participantes, o mesmo reconhecimento pela coragem de apresentar seus cafés, buscar a melhoria contínua e compartilhar os resultados de uma safra. E àqueles que não participaram do concurso, mas concluíram mais um ciclo produtivo, fica igualmente minha homenagem.
A Noite da Singularidade premiará cafés de excelência, mas celebrará algo ainda maior: uma cooperativa cuja grandeza foi construída pelo empreendedorismo, pela dedicação e pelo vanguardismo de seus cooperados. É essa história coletiva que faz da Coocacer uma expressão tão importante da cafeicultura do Cerrado Mineiro e do Brasil.




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